O futuro não é mais o que era
Pensadores discutem representações contemporâneas dos conceitos de passado, presente e futuro
No prefácio a uma edição das “Cartas persas”, de Montesquieu, o filósofo e poeta francês Paul Valéry (1871-1945) afirma que nenhuma sociedade pode se estruturar sem as “coisas vagas”. O filósofo e jornalista Adauto Novaes olha para o mundo de hoje e não encontra vaguidão. Tudo parece estar preenchido, pois o adjetivo “vago” não cumpre as exigências da produção, da tecnologia, da ciência. A partir dessa observação, ele se pergunta que futuro tem uma sociedade que, atropelada pela produtividade, perdeu o contato com a experiência. Junto a ele, outros 24 pensadores — de filosofia, sociologia, teoria política, psicanálise, história, arte, literatura e física — lançam a mesma pergunta no sexto ciclo de conferências “Mutações”, que começa na segunda, 20/08, às 19h, na Academia Brasileira de Letras (em São Paulo, a série foi aberta anteontem, no Sesc). O tema desta edição foi retirado de uma frase de Valéry: “O futuro não é mais o que era”.
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