Romance entre o arcaico e o moderno
Grande Sertão: Veredas, do mineiro João Guimarães Rosa, tornou-se clássico ao recriar um mito
Uma das obras mais importantes de um escritor – talvez a mais importante de todas – é a imagem que deixa de si mesmo na memória dos homens. O que se sabe de João Guimarães Rosa (Cordisburgo, Minas Gerais, 1908 – Rio de Janeiro, 1967) permite que a memória social que dele se guarda o apresente como um cavalheiro amável e civilizado, e que a memória cultural o tenha como o maior escritor contemporâneo de seu País. Os títulos que vão surgindo de Guimarães Rosa a partir de 1940 (Sagarana, 1946; Corpo de Baile, 1954) informam que seus assuntos e suas formas querem demarcar, desde o começo, um território próprio que, por sua vez, se inscreve na evolução da literatura brasileira, pretende dar a essa um leito novo e, sobretudo, uma ambição de estilo e outra profundidade de calado.
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