Foco, romance de Arthur Miller de 1945, ganha nova edição
André de Leones escreve uma resenha sobre a atualidade do romance de Arthur Miller
“Desde o impressionante primeiro capítulo, em que Newman acorda alta noite e vê uma latina sendo atacada diante de sua casa, no meio da rua, e não faz nada, não chama a polícia, não tenta socorrê-la, sabemos estar diante de um homem que, afundado numa cadeira, fica “esperando a escuridão chegar” para só então, no escuro, “elaborar algum plano”. E, como de hábito, as coisas desandam pelos motivos mais banais: Newman vê-se obrigado a usar óculos e, por uma ironia perversa, o acessório confere a ele a aparência de um judeu. Dadas as regras que regem o funcionamento da companhia onde trabalha,coisa, aliás, desgraçadamente comum por aqueles dias, não demora para que ele seja “convidado” a ocupar uma função menos visível. Indignado, opta por pedir demissão”.
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