Geração subzero mostra impasses da ficção de entretenimento
Antologia de autores populares se apoia em falso dilema entre narrativa e experimentação
A antologia organizada por Felipe Pena, Geração subzero (Record, 322 pp. R$ 39,90), possui um subtítulo muito bem escolhido. Trata-se do primeiro manifesto da literatura brasileira escrito na era do twitter: “20 autores congelados pela crítica, mas adorados pelos leitores”. Na introdução, o organizador desenvolve o tema: “A literatura brasileira contemporânea tem poucos autores dispostos a contar uma boa história, sem a preocupação de produzir experimentalismos e jogos de linguagem”. Geração subzero possui o mérito de ampliar o horizonte da discussão, por meio da incorporação de autores que se dedicam prioritariamente a gêneros considerados “menores”: terror, thriller, ficção científica, histórias de vampiros etc. Muitos dos selecionados apresentam números eloquentes: Thalita Rebouças ultrapassou a marca de um milhão de exemplares vendidos; André Vianco já vendeu 700 mil livros. Tais números são expressivos e exigem uma reflexão séria. Contudo, dados brutos nem sempre valem o quanto pesam.
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