O perigo da proximidade com os escritores
Miguel Sanches Neto analisa o convívio entre os escritores e outras pessoas
Transformado em personalidade, o escritor atrai a atenção de leitores que se colocam no papel de fãs. O convívio com quem escreve apresenta, no entanto, alguns perigos. O principal deles é o de se ver transformado num personagem, indo parar nas páginas abertas do próximo livro do autor. São comuns contos e romances em que gente próxima dos criadores identifica aspectos de sua personalidade e situações íntimas devassados pelas ferramentas impiedosas da ficção. Nesses casos, a primeira acusação que se faz é de que o escritor não foi ético, rompeu com os códigos de relacionamento e amizade. Pedir que o escritor não lance mão do material colhido nos embates com o mundo é o mesmo que pedir que ele não escreva. O escritor autêntico é um ser condenado à sua arte e age na vida como se estivesse no âmbito da ficção.
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