Minha profissão é escrever sem camisinha, diz Lobo Antunes
Para Lobo Antunes, que redige seus livros a caneta, criar na tela do computador é como fazer sexo com preservativo.
Folhas de papel A4 e caneta esferográfica. É o que basta para António Lobo Antunes escrever os seus livros. Avesso a celulares e cartões de crédito, ele não usa o computador para produzir. “Gosto de desenhar as letras, de bordar. Ver vidro é como fazer amor com camisinha. Minha profissão é escrever sem camisinha”, conta. “Nos dias bons a mão fica a fluir e escreve sozinha.” Às vezes saem só cinco linhas em um dia. Mas escrever, propriamente, não lhe dá prazer, revela ele. “Quando não escrevo me sinto culpado. A criação é um mistério. Há alturas de uma felicidade intensa, mas a maior parte do tempo é angústia. De tentar encontrar a palavra e a música e a cor. Talvez escrever seja a arte dos corantes.”
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