Outras palavras
A Flupp, uma Flip nas favelas, acaba de levar consagrados escritores a comunidades pacificadas do Rio
Em julho de 2010, Julio Ludemir estava na pior. O que daí resultou, dois anos depois, é que centenas de cariocas das periferias acabam de conversar com escritores como o inglês Hanif Kureishi, a cubana Zoé Valdés e o indiano Suketu Mehta, além de vários autores brasileiros. Tudo culminou, na última quarta-feira, no Morro do Cantagalo. E a história ainda só está a aquecer para novembro, quando estreia a primeira Flupp: Festa Literária das UPPs. Então, o que é que em 2010 aconteceu a Julio Ludemir, jornalista e escritor, pernambucano e carioca? “Fiz 50 anos. E um livro meu que conta a história do crime no Complexo do Alemão encalhou na editora. Foi um golpe duro. Recolhi mil exemplares e saí quase como um camelô”. Julio era fã da Flip, daqueles de assistir de fora, do telão, sempre que não tinha convite. Agarrou-se ao livro encalhado, foi para Paraty vender. “E, quando abordava as pessoas, era tão maltratado: ‘Não incomode os clientes.’ Quer dizer: ‘Não interrompa a minha conversa.’” No meio de tudo isso veio ideia, nome, local da Flupp.
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