A realidade pelo avesso, na alegoria
O mineiro Carlos de Brito e Mello adianta a trama do novo livro
A presença da morte é marcante na ficção do mineiro Carlos de Brito e Mello, de 37 anos, finalista dos prêmios São Paulo de Literatura, Portugal Telecom e Jabuti de 2010 pelo livro A passagem tensa dos corpos. (Companhia das Letras). Prestes a entregar os originais de seu novo romance, A cidade, O inquisidor e os ordinários à mesma editora, o autor concedeu uma entrevista ao Sabático, na qual revelou ter se livrado da “mais indesejável das gentes”. A morte, garante, não é mais a protagonista da história. Se, no elogiado livro, ela é uma entidade alegórica que ronda a casa de um patriarca envenenado por um de seus familiares, aqui cede lugar a um inquisidor que investiga a vida dos cidadãos “ordinários”. Ele é ao mesmo tempo juiz e algoz nesse pesadelo em que a noção de homem e cidadania cai por terra.
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