A festa não é para todos
Faxineiro da Flip há quatro edições, pescador de 48 anos não sabe ler nem escrever
Apesar da tentativa de transformar a realidade por meio da literatura, a própria Flip revela uma contradição na sua essência: a pessoa que limpa os banheiros na festa de celebração da leitura não sabe ler nem escrever. Há quatro edições, o pescador Sirlei Araújo de Souza, de 48 anos, é contratado para fazer a manutenção dos banheiros e áreas comuns do evento. Todos os dias, Sirlei sai de casa, em Barra do Corumbê, comunidade a sete quilômetros de Paraty, pega um ônibus e bate ponto na tenda da Flip às 8h. Até as 17h, pode ser visto — embora normalmente seja ignorado — para cima e para baixo com suas vassouras. Mais velho de nove irmãos, teve de trabalhar desde criança para ajudar a mãe em casa. Nunca entrou numa escola. Os livros, para ele, são apenas objetos coloridos.
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