A leitura para além da festa
Flip faz girar uma engrenagem cultural que transcende o evento e promove acesso aos livros
São quase dez minutos de barco, outros dez de carro e um choque cultural para o caiçara Almir Tã sair da Ilha do Araújo e chegar ao Centro Histórico. Tã participa da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, lançando seu primeiro livro, escrito nos anos 1970. Sua história, a de um pescador, artesão e líder comunitário de 54 anos, se mistura com a da festa a partir do momento em que a Flip consegue levar literatura àqueles que são mais afetados pelo evento: os moradores de Paraty. É um movimento que passa por educação, cidadania, cultura e, sobretudo, pelo incentivo à leitura numa cidade de apenas 35 mil habitantes. Enquanto Tã percorre esse trajeto para chegar a Paraty, a Casa Azul, associação que promove a Flip, faz o caminho inverso: durante todo o ano, seus monitores visitam escolas e praças da cidade para viabilizar o acesso aos livros por crianças e adolescentes. A Flip assumiu, ainda, o compromisso de implementar bibliotecas nessas localidades, e, hoje, cada uma das 32 escolas municipais da região tem seu espaço de leitura.
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