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W.G. Sebald e o silêncio intrigante

06 de julho de 2012
2 min de leitura

Livros do escritor alemão publicados no Brasil revelam um narrador em busca do não dito, das palavras que por motivos políticos foram silenciadas

W.G. Sebald nasceu em 1944 no pequeno vilarejo alemão de Wertach, perto da fronteira suíça, e foi criado nos anos que sucederam o nazismo. Nesse período, como ele mesmo não se cansou de repetir, havia uma espécie de “conspiração do silêncio”: ninguém falava do que tinha acontecido, e continuava-se a viver como se existisse uma lacuna entre os anos anteriores e os posteriores à guerra. Uma “amnésia coletiva” tomou conta da Alemanha, onde reinava um pacto de silêncio em relação ao passado. Todos sabiam do ocorrido, mas ninguém falava a respeito: nem nas escolas, nem nas universidades, nem nos jornais, nem mesmo em casa, entre marido e mulher, pais e filhos. É justamente esse silêncio que intriga Sebald em seu percurso como escritor. Numa entrevista a Eleanor Wachtel, diz ele: “Acho que toda criança sabe disso – quanto mais se esconde alguma coisa, mais você procura descobrir o que é.” Livros como Os emigrantes e Austerlitz, publicados no Brasil pela Companhia das Letras, revelam um narrador em busca do não dito, das palavras que por razões políticas foram silenciadas.

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