Dueto de mestres
Livro reúne correspondência entre Drummond e Cyro dos Anjos, na qual o poeta revela-se crítico mordaz de seus pares
Dois compadres mineiros, aproveitando os fortes laços de amizade, trocaram confidências por cartas que seriam apenas amenidades não fossem eles os escritores Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) e Cyro dos Anjos (1906-1994). Companheiros de geração, conheceram-se jovens no final da década de 1920, em Belo Horizonte, onde Drummond era editor do Diário de Minas, no qual Cyro, futuro autor de O amanuense Belmiro, ingressava como redator. Entre 1931 e 1986, os amigos trocaram 163 textos, entre cartas, bilhetes, telegramas, radiogramas e cartões-postais. Mais que novidades, compartilharam confissões pessoais e literárias que, por serem tão íntimas, nunca figuraram em nenhuma de suas obras. Essa é uma das principais atrações do livro Cyro & Drummond, compilação da correspondência entre os dois autores que a editora Globo lança na próxima semana, durante a Festa Literária Internacional de Paraty, que vai homenagear justamente Drummond.
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