O que querem os autores
Maioria dos autores britânicos consultada em pesquisa consideraria autopublicar livros
A maioria dos autores está considerando eliminar seus editores e autopublicar seus livros, enquanto 40% dos autores mudariam de editora para lançar seu próximo título – mesmo recebendo o mesmo nível de adiantamento.
Estas são talvez as duas revelações mais surpreendentes da pesquisa “Do you love your publisher?” (“Você ama sua editora?”), feita para identificar a atitude de escritores britânicos em relação a seus editores por encomenda do Writer’s Workshop. O levantamento, conduzido em abril com 320 escritores britânicos, também revelou que, enquanto os autores estão bastante felizes com o processo editorial e a comunicação com suas editoras, eles se sentem à margem dos planos de marketing e estão desapontados com o feedback que recebem.
Certamente, a autopublicação de e-books – com sua maior taxa de royalties – é atrativa aos que responderam a pesquisa. Quase 3/4 (74,2%) responderam afirmativamente à questão: “Se e-books continuarem a ganhar mercado, você consideraria eliminar sua editora?”.
No entanto, examinando a fundo as respostas, há alguma ambivalência em relação à autopublicação, já que muitos autores não estão preparados para fazer a mudança sem pensar. Dos participantes, 37% responderam a pergunta com a alternativa “Sim, mas com alguma hesitação: seria um passo sério a dar”. Pouco mais de 1/4 (27,5%) disse “Sim, eu estaria aberto (à autopublicação)”, enquanto somente 9,4% estavam completamente otimistas, respondendo “Sim, (autopublicação) é somente uma questão de tempo”.
Isso sugere que os autores estão aceitando melhor a autopublicação em relação à sua experiência anterior. Perguntados se eles tinham se autopublicado ou “e-publicado” antes, 72,5% deles responderam que não. Quase metade (43,2%) disse: “Não, e nunca havia considerado”, enquanto que 29,3% responderam “Não, mas já considerei seriamente”.
Várias vezes durante a pesquisa a relação autor/editora recebeu boa avaliação. Numa pergunta em que os autores avaliaram os editores, quase 3/4 (74,6%) afirmaram que a relação é excelente ou boa, com 43,9% dizendo que é excelente. Só 13,9% avaliaram a experiência editorial de forma negativa – 10,6% disseram que era “pobre” e 3,3% consideraram-na “triste”.
Se o relacionamento e a comunicação entre autor e editor é forte, autores se sentem marginalizados em outro lugar, principalmente na área de marketing. Na questão “Você foi consultado sobre os planos de marketing da editora?”, somente 19,8% dos autores responderam que estavam “bastante envolvidos”. Outros 33,2% tinham maior probabilidade de responder “Não havia nenhuma tentativa de consulta”, enquanto que 6,1% disseram: “Qualquer consulta parecia só de aparência”; 30,9% disseram que o envolvimento com marketing era “marginal”.
Para a questão “Você sentiu que a eventual campanha de marketing fazia uso total da sua habilidade, conhecimento, paixão, contatos e presença digital?”, 62,4% dos autores responderam negativamente – 38,7% marcaram a opção “Que campanha de marketing? Eu nem notei”, enquanto 23,7% responderam “Eu senti que foi feito muito menos do que poderia ter sido feito”.
Apesar de não estarem envolvidos em discussões de marketing, os autores sentiam que a comunicação era melhor em outras áreas. A clara maioria dos autores (64,2%) foi consultada sobre o texto de capa. E uma maioria (53%) pensou que a comunicação com os editores era boa (33,9%) ou excelente (19,1%) em geral “antes, durante e depois da publicação”. No entanto, quase 1/3 (31,5%) informou que “a comunicação se cortou abruptamente depois da publicação”, e 15,4% disseram que “sempre foi pobre”. Em relação aos pagamentos de royalties, somente 8,8% disseram que os pagamentos não foram claros e corretos.
Papéis futuros
No geral, a pesquisa sugere, se não animosidade, pelo menos um bom grau de insatisfação e ambivalência dos autores em relação a seus editores. Quando perguntados “Em seu próximo livro, se algum outro editor respeitável oferecesse o mesmo adiantamento que o seu atual, você mudaria para uma nova casa ou ficaria onde está?”, mais autores escolheram mudar (39,9%) do que ficar (37,2%). E 22,9% não sabem se mudariam.
Talvez seja por isso que, quando foi pedido que olhassem para frente daqui a cinco ou dez anos, os autores mostram estar mais confiantes de que ainda terão uma relação com um agente do que com um editor. Quase 52% dos autores pensa que é “mais provável” ter um agente, comparado com 48,1% que acham mais provável ter um editor. Mas, no geral, a incerteza é grande – 38% dos autores disseram que era impossível dizer se terão um editor daqui a cinco ou dez anos, e 23,3% disseram que era impossível dizer se terão um agente no mesmo intervalo de tempo.
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