João Cabral e a arte da dedicatória
Muitas histórias de nossas letras não se escrevem (apenas) nas folhas impressas dos livros, mas nas suas páginas manuscritas
João Cabral de Melo Neto era considerado parcimonioso (para dizer pouco) em suas manifestações sobre a literatura brasileira. Ao contrário dos entusiásticos elogios a autores de língua inglesa e espanhola, o que se constata é o caráter minguado da parte que nos cabe nesse latifúndio das letras preferenciais do afeto cabralino. Por outro lado, no campo específico das dedicatórias, o poeta foi bastante pródigo: abarcando poetas e ficcionistas do país, elas estão presentes em nada menos do que 13 de seus 20 livros. O mais usual (com nove incidências) é a homenagem sem plumas, mediante a despojada referência de um nome, isento de qualquer qualificativo: são os casos de Carlos Drummond de Andrade, Aníbal Machado, Vinicius de Moraes, Murilo Mendes, Augusto Frederico Schmidt, José Lins do Rego, Lêdo Ivo, Luís Jardim e Marly de Oliveira.
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