Haicais e grafites
Os extremos do minimalismo e da monumentalidade acabam se encontrando nas sutilezas de expressão da arte poética e do traço figurativo
O haicai, forma tradicional da poesia japonesa, fala da paisagem em três versos curtos, sem título e de extensão desigual. Registrando uma epifania, expressa na fulguração de uma única intuição lírica o instantâneo que a inspirou, com concisão e despojamento. A perícia que o haicai exige transparece no minimalismo de sua exiguidade e condensação. Pode-se argumentar que nos antípodas do haicai se encontra o grafite, quando constatamos que ao minimalismo do primeiro se opõe a monumentalidade do segundo. O que o haicai tem de íntimo e de introspectivo, o grafite tem de público e notório. O haicai insinua e sussurra, o grafite ruge e urra.
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