Desordens da escrita literária
O americano Mark Salzman conta em livro suas aflições com o bloqueio criativo, mal comum aos autores
“Eu me sento, religiosamente, toda manhã. Eu me sento por oito horas, todo dia – e ficar sentado é tudo. Durante o dia de trabalho de oito horas, escrevo três frases que apago, antes de deixar a escrivaninha em desespero.” Carta de Joseph Conrad, em 1898, ao editor e amigo Edward Garnett. A “Doença da Meia Noite”, o mal que aflige o escritor diante da página em branco, foi assim batizada pelo notoriamente deprimido Edgar Allan Poe. A noção do autor acometido por surtos de inspiração ou em agonia pela ausência da musa sempre acompanhou a escrita. Mas, uma nova literatura médica ajuda a explicar os caprichos da musa. O sofrimento, no entanto, está longe de ser aplacado, como conta ao Sabático, o romancista Mark Salzman, que acaba de lançar as memórias de seu tormento com o mal da meia-noite, o livro eletrônico The man in the empty boat (Open Road Integrated Media LLC, 160 pp., US$ 24,99). Ele registra não um, mas dois longos episódios de bloqueio da escrita, entre lançamentos que foram sucessos de crítica.
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