Brasília é meio chata em janeiro. O Congresso está em recesso, as ruas estão vazias, chove quase diariamente. Parece que o tempo para na capital federal e a máxima de que o Brasil só acontece depois do Carnaval foi inventada aqui, no verdadeiro túmulo do samba. Bobagem. Nos corredores da Esplanada dos Ministérios, Brasília ferve há pelo menos duas semanas. Especialmente naqueles inoculados com o veneno antimonotonia da reforma ministerial, caso do Ministério da Cultura, de Ana de Hollanda. Seu nome aparece insistentemente no noticiário político como uma das possíveis trocas no rearranjo ministerial. A dívida histórica que o PT tem com a família Buarque de Holanda conta a seu favor. O fato de que Dilma aprecia a lealdade com que Ana abraçou as restrições orçamentárias impostas a ela (em 2011, o orçamento da Cultura recebeu um corte de 37% com relação a 2010, ou R$ 529 milhões a menos), sem reclamar, e exerceu o perfil de gerente da cultura, também.