O despertar de Carlos Drummond de Andrade
Primeiras crônicas são recuperadas e disponibilizadas a partir desta semana na internet
Aos 15 anos, um jovem interno do Colégio Anchieta, em Nova Friburgo, publicou seu primeiro texto. Vida nova — que saiu no dia 14 de abril de 1918 no jornal Aurora Collegial — falava da expectativa da chegada à nova escola, “com a alma povoada de esperanças miríficas e sonhos maravilhosos”. Sonhos esses que terminariam em 1919, quando Carlos Drummond de Andrade foi expulso por “insubordinação mental”, após discutir com um professor. Foram apenas dois anos de Anchieta, período em que ele escreveu pelo menos dez crônicas. Graças ao esforço de Nelson Bohrer, presidente da Fundação D. João VI, de Friburgo, nove delas foram recuperadas, digitalizadas e estarão disponíveis a partir desta semana no portal www.djoaovi.com.br. Drummond não tinha muito apreço por seus primeiros textos. “Ele nunca se interessou por eles. Considerava-os infantis demais”, diz o poeta, crítico e tradutor Fernando Py, de 76 anos, autor da Bibliografia comentada de Carlos Drummond de Andrade, que cataloga os textos de 1918 a 1934 e onde cada um saiu publicado. Mas se estão longe de entrar numa antologia das melhores crônicas brasileiras, seu valor documental, histórico e biográfico é inegável.
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