Clássico de Otto Maria Carpeaux vira alvo de polêmica
Senado cede projeto de obra de Carpeaux à editora que publicou a biografia de Sarney
Há cerca de um mês, a editora Leya lançou uma caixa com os quatro volumes do clássico História da literatura ocidental, de Otto Maria Carpeaux (1900-1978), em parceria com a Livraria Cultura, que detém exclusividade das vendas. Com a exceção de um novo projeto gráfico para as capas e a caixa que embala o conjunto, a edição da Leya é exatamente igual à do Senado, que até o fim de 2011 era a única no mercado. A obra de Carpeaux está em domínio público, ou seja, qualquer um pode publicar o texto, sem necessidade de pagamento de direitos autorais. Porém, como publicado na última edição da revista “Época”, os arquivos com o projeto editorial do Senado foram cedidos à Leya, editora portuguesa que tem um braço no Brasil desde 2009. O vice-presidente do conselho editorial do Senado, Joaquim Campelo Alves, reconhece a cessão dos arquivos e diz que não houve favorecimento à Leya, já que nenhuma outra editora o procurou para pedir o material. Ele rejeita ainda a alegação da revista de que o projeto editorial tenha sido transferido em troca de favores ao senador José Sarney — presidente do Senado e de seu conselho editorial, e sobre quem a Leya publicou em 2011 uma biografia, escrita por Regina Echeverria e com índice onomástico de Campelo. Pascoal Soto, editora da Leya, também rebate acusação de uma troca de favores com Sarney. Ele diz que o projeto de reedição da obra de Carpeaux não existia quando a editora publicou a biografia do senador e lembra que a Leya já lançou um livro de Marco Antonio Villa, “um dos críticos mais ferozes” do senador.
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