Tradutor pode matar ou melhorar obras originais
Embora muitas vezes próximo de um trabalho autoral, tradução ainda não encontra devido reconhecimento no país
Um tradutor não dá à luz novos livros. Mas pode melhorá-los. Ou matá-los. Num ofício dividido entre a criação artística e a mera reprodução fidedigna dos originais, esse coautor de romances alheios vem ganhando prestígio maior do que as notas de rodapé podem dar. Em muitos países, os tradutores conseguem se especializar em um determinado autor ou estilo e há até mesmo prêmios literários para a categoria, mas, “no Brasil, o trabalho de tradutor não é valorizado”, diz o tradutor e escritor Milton Hatoum. Hoje, já existem originais em russo, japonês, árabe, alemão e hebraico traduzidos para o português sem escalas em versões inglesas ou francesas, como ocorria antigamente. Mesmo assim, a maioria desses profissionais ainda vive se equilibrando em contratos incertos com as editoras, que pagam, em média, R$ 30 por página com 2.100 caracteres de tradução.
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