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O mestre dos livros

11 de dezembro de 2011
2 min de leitura

Às vésperas de completar 80 anos, o escritor e filósofo italiano Umberto Eco, dono de uma biblioteca de 30 mil volumes, fala de literatura e tecnologia, comenta política e globalização e conta ter se

Umberto Eco, cigarro toscano na mão, é quem abre a porta de seu confortável apartamento, num prédio de época, diante das muralhas do castelo Sforzesco, em Milão. Renate Ramge, alemã com quem é casado há 49 anos, prepara um café, enquanto um dos mais importantes intelectuais do mundo se senta em uma poltrona branca num canto do salão iluminado pela luz natural que entra pelas janelas. No centro da sala, obras literárias raras. Nas paredes, quadros de arte moderna, “todos verdadeiros, porque foram dados pelos artistas”, como explica o filósofo, escritor e semiólogo italiano que completa 80 anos em janeiro. O autor de O nome da rosa e O pêndulo de Foucault guarda, em casa, 30 mil livros, alguns com 500 anos. “Quase não vou a bibliotecas, tudo o que me interessa está aqui. Quando penso em ir a uma livraria, também não vou, porque recebo todos os livros lançados, infelizmente”, diz ele, ao longo de uma entrevista permeada por ironias. Seu livro mais recente, Cemitério de Praga (Record), sobre a história de Simone Simonini, um falsário inventado pelo autor, está há seis semanas na lista dos mais vendidos do GLOBO. Sobre ele, Eco diz que sempre se interessou pela mentira. E afirma acreditar na convivência pacífica de livros em papel com e-books, comemora a queda de Silvio Berlusconi e conta que tem prazer ao maltratar leitores. “Escrevo para os masoquistas”, afirma, rindo, sobre o desafio intelectual que seus romances impõem ao leitor.

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