Aos 35, Poema Sujo ganha edição de luxo
Escrita no exílio, obra em que Ferreira Gullar evoca infância e adolescência sai pela Confraria dos Bibliófilos, em tiragem exclusiva para membros da associação
“Costumo dizer que meus poemas nascem do espanto e o que me espanta pode ser a coisa aparentemente mais banal do mundo”, conta Ferreira Gullar. “O ‘Poema Sujo’, porém, nasceu de circunstâncias especiais”, recorda o poeta e colunista da Folha. Escrito em 1975, no exílio em Buenos Aires, quando Gullar “tinha a impressão de que poderia desaparecer a qualquer momento”, o Poema Sujo ganha agora edição de luxo pela Confraria dos Bibliófilos do Brasil. A nova edição, 35 anos depois da primeira, se destina só aos membros da associação. Criada em 1995 por José Salles Neto, dono de uma biblioteca de 22 mil exemplares em Brasília, a Confraria dos Bibliófilos produz tiragens especiais de títulos nacionais, custeadas pelas anuidades de seus cerca de 400 membros. No caso da nova edição do Poema Sujo, o luxo vem do aspecto artesanal: com ilustrações da artista Maria Tomaselli, foi impresso folha a folha em serigrafia, exigindo cerca de 100 mil impressões.
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