Uma relação tão delicada
Drummond e João Cabral de Melo Neto afastaram-se e se atacaram veladamente
Não é novidade a presença ostensiva de Carlos Drummond de Andrade nas obras iniciais de João Cabral de Melo Neto. Já no primeiro livro de Cabral, O engenheiro (1942-1945) há essa dedicatória: “A Carlos Drummond de Andrade, meu amigo”. E neste livro há ainda um poema que Cabral enviou a: “A Carlos Drummond de Andrade, à sua maneira”. As primeiras publicações do poeta pernambucano ressoam até parafrasicamente o mineiro, como Os três mal-amados (1943) feito a partir de Quadrilha (1930). Não bastasse, o poeta mineiro foi até padrinho de casamento de Cabral. E Cabral, que no princípio de sua carreira escrevia regularmente a Drummond, reconheceu numa carta que “caceteava diariamente por telefone” seu colega, a quem pedia orientação até mesmo em relação a emprego. (*Affonso Romano de Sant’anna – é escritor, autor, de drummond: o gauche no tempo (record), entre outros livros).
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta