Notas à beira do caminho
Ensaio aborda a obra de Carlos Drummond de Andrade, nascido há 109 anos
No meio da vida e da caminhada poética, mais precisamente no soneto Legado, de Claro enigma (1951), Drummond se perguntava: “Que lembrança darei ao país que me deu / tudo que lembro e sei, tudo quanto senti?” Tantos anos passados, continuam o processo de germinação da sensibilidade e as pontadas agudas da inteligência dessa poesia junto a um grande contingente de leitores. É difícil avaliar o alcance da poesia de Drummond entre os leitores e outros poetas. A engenharia tosca, risível e artificial de um elefante fabricado em pleno improviso, posto a caminhar nas ruas, tão carente de amigos quanto fadado à incompreensão, arma o sentimento do sublime com os apoios da ironia (O Elefante, A Rosa do Povo). Num poema como esse, estamos simultaneamente dentro e fora de uma fome de amor que se torna confessável na exata medida em que se desqualifica. (*Alcides Villaça – Professor de Literatura Brasileira na Universidade de São Paulo).
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