Sexo, política e micagens de Drummond
Livro de entrevistas concedidas entre 1927 e 1987 compõe perfil divertido e surpreendente de Carlos Drummond de Andrade
O crítico literário Antonio Candido recordou certa vez uma tipologia, criada talvez em mesa de bar, que dividia os escritores mineiros entre “contidos” e “derramados”. Por esse critério, Guimarães Rosa seria um típico escritor “derramado. Já Carlos Drummond de Andrade seria um “contido” convicto. A brincadeira tem lá sua dose de verdade, mas não se ajusta com perfeição a uma personalidade como a de Drummond. As novas gerações, para as quais se fixou a figura algo macambúzia que, nos anos 1980, estampou tristes notas de 50 mil (cruzeiros? cruzados? cruzados novos?), há de se espantar com a franqueza com que falava de clichês da esquerda e da direita, modismos sexuais dos anos 80 ou, ferino, de uma vida literária “ridícula e triste”, que “se fizesse em termos de corrida de cavalos”. Muito da faceta “derramada” do poeta pode ser conhecida em Carlos Drummond de Andrade – Coleção Encontros (Azougue, 206 pp., R$ 29,90), organizado por Larissa Ribeiro, que reúne 17 entrevistas concedidas ao longo de seis décadas, entre 1927 e 1987. [A matéria completa é para assinantes. Aqui, você confere a programação do IMS em homenagem ao poeta]
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