Um ofício escrito no plural
O terceiro e último ensaio da série que traça os contornos da produção nacional contemporânea aponta para uma crise da crítica
A crise da crítica cultural e literária no Brasil contemporâneo nada tem de singular, ela é parte da crise geral de produção do conhecimento nas ciências humanas e, igualmente, da crise dos paradigmas modernos de invenção, representação e valor nos diferentes domínios do simbólico. Institucionalmente, a mercantilização acelerada do trabalho intelectual, processo antigo, trouxe aos espaços tradicionais de cultura humanista os ditames tecnicistas e burocráticos da produtividade serial e mecânica. A decadência em larga escala do modelo forjado na Universidade europeia formadora do espírito esclarecido/esclarecedor, e do pensamento integral a ele subjacente, cedeu terreno ao especialismo técnico e instrumental das cadeias produtivas externas, que certa ideologia arraigada teima em denominar “sociedade”. A irrelevância social crescente da Universidade pós-68 nada mais é que a face visível desse processo de largo espectro. Declinantes de valor os espaços das humanidades, são declinantes também seus atores, ações e, sobretudo, palavras.
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