Acervo agora está todo em SP
Produção de Glauber Rocha já está na Cinemateca Brasileira
Originado da obstinação da mãe de Glauber em fazer as palavras do filho ecoarem mundo afora, o Tempo Glauber, no Rio, que tem quase os 30 anos da ausência de seu inspirador, sempre viveu na corda bamba. Desde o início do ano, não recebe recursos do Ministério da Cultura destinados a seu custeio, o que faz com que a família Rocha use dinheiro próprio para mantê-lo aberto, abrigando e difundindo sua produção intelectual. Anteontem, a luz chegou a ser cortada. “Sou famosíssimo e paupérrimo” – a frase de Glauber pendurada na parede não é mera coincidência. Se depender dos herdeiros, a sua luz não vai se apagar. Sem querer arriscar um acervo riquíssimo salvaguardado por Dona Lúcia com doses iguais de amor e meticulosidade, eles venderam em dezembro à Cinemateca Brasileira, por R$ 3 milhões, roteiros, fotografias, manuscritos, poesias (cabem et ceteras) – tudo digitalizado -, num total de 25 metros lineares reveladores do pensamento e da poética do cineasta. A transferência para São Paulo foi feita segunda-feira.
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