O escritor bisbilhoteiro do café de Higienópolis
Evandro Affonso Ferreira foi todos os dias de 2009 tomar expresso com espuma na Cristallo do shopping. As histórias que ouviu inspiraram seu novo romance
Todos os 365 dias de 2009 foram um imenso domingo chuvoso para o escritor Evandro Affonso Ferreira. E todos se passaram na confeitaria Cristallo do Shopping Pátio Higienópolis. E todos tiveram dois cafezinhos – “do jeito que eu inventei e que as atendentes já sabem: pouco café e muita espuma”. Isso: 730 cafés, uma infinita fauna de personagens-clientes, diálogos ouvidos e vidas inventadas. Resultado: o livro Minha mãe se matou sem dizer adeus (Record, 2010), vencedor do Prêmio APCA de melhor romance e um dos finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura, cujos ganhadores serão anunciados no próximo dia 1º. Todos os dias, só o cafezinho? Ninguém se importava? Não achavam estranho? “De vez em quando eu pedia uma água, ou um guaraná, só para disfarçar”, comenta. “Mas acontecia, sim, de as pessoas estranharem. Uma moça, uma vez, me disse que havia apostado com os amigos que eu só podia ser escritor.” E também houve uma senhora que veio oferecer a história de sua vida “porque daria um romance”. Evandro desconversou, com a desculpa de que não escreve “sobre pessoas vivas”.
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