Solidão com vista para a metrópole
Nascido nos EUA mas criado na Nigéria, Teju Cole, de 36 anos, fala de seu elogiado romance de estreia, “Open City” - que o levou a ser comparado a Albert Camus
Julius é obrigado a fazer uma escolha todos os dias. Ele decide, sobretudo quando caminha sem rumo por Nova York, quem gostaria de ser. “Andar pelas ruas é uma lembrança de liberdade”, acredita. A sua decisão, porém, é difícil. Julius não sabe o que deseja ser, e talvez a cidade onde mora não seja um lugar favorável para reinventar uma identidade. Nova York é uma cidade aberta, produtora incessante de possibilidades que escondem uma armadilha: a fartura de caminhos leva à paralisia do indivíduo. Teju Cole é americano, nascido no Estado de Michigan, mas criado em Lagos, na Nigéria. Mora nos Estados Unidos desde 1992. Tem 36 anos, é escritor e criador de Julius, protagonista de Open City (Random House, 260 pp., Us$ 25), o seu elogiado romance de estreia. Cole confunde nesse livro a própria perspectiva com a do personagem. “Julius é a parte nebulosa e sensível da minha alma”, diz. “Ou talvez ele seja a alma coletiva de Nova York. Ele está ferido e também fere. Gosta das pessoas, mas se aparta delas. É um homem do pós-11 de Setembro que luta para descobrir como eventos recentes e antigos continuam a ecoar no presente.” [Para ler a resenha de Silviano Santiago, também publicado pelo Estado, clique aqui].
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