Marasmo que desestimula a autocrítica
Falta de tradução prejudica também reflexão sobre brasileiros; para editores, problema ocorre em todos países
Lembrando o impacto das traduções pioneiras feitas nos anos 1960 e 1970, a crítica Flora Süssekind argumenta que é preciso analisar a história da literatura brasileira para compreender as consequências de um ambiente literário onde a poesia de outros países tem uma presença tão tímida. “A possibilidade de contar com o Mallarmé do Lance de dados, com a poesia de Cummings, de Maiakovski, isso foi determinante para que se repensasse o poema, a própria dicção, para que, aqui, um grau de exigência altíssimo se impusesse, inclusive para quem buscasse outras referências”, avalia. Responsável pelo catálogo de poesia brasileira contemporânea da Companhia das Letras, a tradutora e editora Heloisa Jahn cuida dos livros de alguns dos principais poetas nacionais — como Armando Freitas Filho, Francisco Alvim e Paulo Henriques Britto, entre outros. Poesia estrangeira é artigo raro no mundo inteiro, ela afirma, mas reclama que as editoras não busquem “outros parâmetros” além da lógica do mercado para guiar sua política de publicação na área. O poeta Paulo Henriques Britto é mais pragmático em seu comentário. “Há poucas traduções de poesia porque há poucos leitores de poesia”.
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