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Por que “nóis erra” a gramática

24 de maio de 2011
2 min de leitura

Certos intelectuais brasileiros ainda confundem a norma culta com virtude e a fala popular com pecado. É porque não leram gramáticas o suficiente

Os meios de comunicação abriram espaço para debater um livro didático que supostamente traria “erros de português”. Trata-se de Por uma vida melhor, da coleção Viver, aprender, que reúne uma série de textos de linguistas e professores de português. A obra ganhou fama porque tenta explicar as diferenças entre a norma culta e o linguajar cotidiano. Esse tipo de abordagem, segundo muitos âncoras de rádio e TV, desinformaria as crianças em vez de educá-las. Segundo eles, é preciso ensinar o “português correto” aos estudantes, para que eles possam crescer dotados com mais cultura e mais utilidade social. Permitam-me fazer deles as suas palavras… Curiosamente, no meio da tentativa de criar polêmica, esses paladinos do idioma cometeram uma série daquilo que eles próprios consideram “erros de português”. Não pretendo enumerar as besteiras pronunciadas, até porque considero serem ocorrências normais na língua cotidiana falada, inclusive nos meios de comunicação. Mas ouvi muita bobagem, e muita discussão entre gente graúda irritou-me pelo mesmo motivo que estavam discutindo: a ignorância em relação ao assunto com que lidavam: a língua.

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