Perda do pai ganha foco inusitado em Justo Navarro
Adolescente vive trauma familiar perverso na trama de Irmã morte
Manuel Bandeira disse que a literatura está no amor como nos chinelos. Irmã morte (Record, 128 pp., R$ 29,90 – Trad.: Luís Carlos Moreira), de Justo Navarro, é prova contundente dessa verdade. O impacto psíquico da perda do pai seria um assunto razoavelmente comum, não fosse o tratamento dado pelo autor ao foco narrativo – o próprio filho e sua observação torturada e estranha da morte, da casa e da irmã – e a construção de imagens sempre inusitadas e incansáveis, transformando um tema simples em algo revelador. O que importa aqui não é a perda do pai, mas onde ela se dá e a forma como ela é vivida por esse adolescente problemático e quase autista.
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