Pela reabilitação real do Estado
Em O mal ronda a terra, o historiador inglês Tony Judt mostra como a desigualdade se tornou “natural”
O debate em torno da lei que proibiu o véu islâmico na França não diz respeito só ao aspecto religioso nem ao jurídico. No limite, o episódio mostra o tamanho da interferência do Estado na vida cotidiana. Diante disso, é lícito questionar: terá o Estado “ressuscitado” afinal dos escombros do Muro de Berlim? O último trabalho do historiador britânico Tony Judt, O mal ronda a terra (Objetiva, 212 pp., R$ 34,90 – Trad.: Celso Nogueira), aborda esse problema como uma falsa questão: para ele, o Estado, hoje, é cada vez mais apenas um arremedo de seu espírito fundador moderno e serve somente para proteger interesses privados. Judt escreve com o vigor de quem sabe que está deixando um testamento – ele morreu em agosto de 2010, seis meses depois da publicação desse livro na Europa.
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