Duas doses de Cioran
No centenário do filósofo, reedições mostram seu embate com a febre das utopias
Uma noite fria no Café Kapsa em Bucareste. O escritor Marin Mincu desenha suas ideias para o centenário de nascimento de Cioran, com algumas cartas do filósofo nas mãos. Um copo de tsúica e Mincu insiste na matriz romena de Cioran e do diálogo deste com Ionescu e Eliade. Mas também Constantin Noica, das Seis doenças do espírito contemporâneo, Alexandru Dragomir, discípulo dileto de Heidegger, e do profundo e incontornável Lucian Blaga. Parecia fundamental atingir os fantasmas romenos que habitam as ruínas de Cioran, cuja obra está ganhando reedição, com dois títulos chegando às livrarias na próxima semana: Breviário de decomposição e História e utopia (Rocco, 224 pp., e 128 pp., Preço a definir – Trad.: José Thomaz Brum). Nascido em abril de 1911 em Rasinari, no sul da Transilvânia, Cioran alcança uma sólida formação literária e filosófica em Bucareste e na Alemanha. Segue depois para a França, em cuja língua passa a escrever desde então.
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