Demências tipográficas
Surrealismo na poesia de Álvares de Azevedo
Erros tipográficos constituem saborosas anedotas e até mesmo fetiches de bibliófilos, que pagam caro por exemplares tornados raros pelas gralhas ou correções feitas à mão. Um possível erro em um poema de Álvares de Azevedo transcrito por seu primo gerou uma imagem estranha a sua poética, cuja correção se propõe aqui. O Arcadismo no Brasil iniciou-se com as Obras (1768), de Cláudio Manuel da Costa, certo? Errado. Basta verificar a folha de rosto do volume: devido a um erro tipográfico, o livro denomina-se Orbas. Portanto, a poesia brasileira do século 18 já nasceu nomeada com defeito de fábrica.
É incrível como erros dessa monta puderam passar despercebidos a autores, tipógrafos e revisores, quando, uma vez dados a lume, eles se tornam, exatamente, aquilo que primeiro se enxerga num livro. Existe, para combatê-los, o recurso da errata, repertório dos cochilos corrigidos à última hora: antes de o volume chegar à mão do leitor, mas já depois de haver sido impresso.
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