Perto da mente selvagem
A argentina Pola Oloixarac mistura em seu romance de estreia referências afilósofos, hackers e Clarice Lispector
Um homem com uma teoria é alguém que tem algo por gritar”, diz-se em determinado Momento de As teorias selvagens (Benvirá, 240 pp., R$ 34,90 Trad.: Marcelo Barbão), numa definição que se pode aplicar também à autora, Pola Oloixarac. Em seu primeiro livro, a argentina de 33 anos, mistura ficção e ensaísmo para desfiar teorias sobre quase tudo: os traços heróicos e patéticos da vida intelectual, os costumes sociais, sexuais e virtuais de sua geração, os fantasmas históricos do regime militar. Desde sua publicação na Argentina, em 2008, o romance rendeu inimigos a Pola, principalmente pela irreverência com que trata o passado recente do país. Nascida durante a ditadura numa família de militantes e guerrilheiros, ela foi acusada por críticos de esquerda de desrespeitar a memória dos que lutaram contra o regime.
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