Os deslimites da literatura
A professora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ escreve sobre a experiência literária
A cada dia me convenço mais de que a experiência literária é uma experiência de exílio. De muitas, diversas formas de exílio. Trazendo o imenso sofrimento que o exílio impõe, mas também como oportunidade da descoberta de amores, saudade, de necessidades insuspeitas e afetos inusitados. Falo do exílio imposto, daquele que separa, discrimina, expulsa. Mas falo também do exílio escolhido, necessário mesmo, na busca por uma solidão desejada, inevitável para que reencontros e satisfações se completem. No sentido contrário ao exilado fica o poderoso, o autoritário, o que decide a punição pelo afastamento, pela negação. Geralmente, são as qualidades do exilado que se tornaram insuportáveis ao covarde que o afasta. Banir, negar a territorialidade, a nacionalidade, o convívio com seus pares são formas, ainda que aparentemente mais civilizadas, mais longas e por mais tempo dolorosas, de punir o inimigo.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta
