Deus de Caim revela talento literário original
Ricardo Guilherme Dicke compõe denso mosaico de inspiração bíblica
Bons escritores contam (boas) histórias; grandes escritores criam mundos. O mato-grossense Ricardo Guilherme Dicke (1936-2008) integrou, sempre com modéstia e extremo rigor, o seleto grupo de autores que estabelecem universos próprios para o transcurso de sua ficção, como a Macondo, de García Márquez, ou a Yoknapatawpha, de Faulkner. O reino mítico de Dicke chama-se Pasmoso, lugarejo de localização incerta nos confins do Mato Grosso, onde se passa Deus de Caim (Letra Selvagem, 400 pp., R$ 40), seu romance de estreia. Poucos escritores foram tão aclamados, e ignorados com igual fervor, quanto Dicke. Deus de Caim recebeu o Prêmio Walmap, atribuído por um júri do qual faziam parte Jorge Amado e Guimarães Rosa. Publicado em 1968, o romance não apenas fincou os marcos geográficos da literatura de Dicke, mas também seus marcos estéticos.
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