A volta ao mundo de Nuno Ramos
Consagrado com “Ó”, o escritor e artista plástico Nuno Ramos explica por que mudou de rumo em seu novo livro
O ciclo contínuo e (parece) sempre em expansão de entrevistas, oficinas e festivais literários impôs aos escritores contemporâneos o duplo papel de teóricos e mercantes de si mesmos. Não são poucos, porém, os que ainda dão a entender que é por um senso de compromisso profissional, e não sem algum pudor, que aceitam o encargo de discorrer sobre a própria obra. Para Nuno Ramos, em contraste, o assunto parece quase trivial. Durante uma hora de conversa sobre seu novo livro, O mau vidraceiro (Globo, 272 pp., R$ 39,90), ele fala com desembaraço e entusiasmo de seus méritos, limitações e angústias como artista plástico e escritor. Uma eloquência que reconhece como eixo da própria obra, e com a qual afirma às vezes se bater, tentando reencontrar, em meio ao fluxo de palavras, a concretude do mundo. Ganhador do Prêmio Portugal Telecom ano passado com Ó (Iluminuras), combinação indefinível de metáforas, especulações e devaneios, ele diz que na nova obra quis voltar a narrar acontecimentos, vidas, experiências.
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