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Bola de Nieve ganha finalmente uma biografia

21 de agosto de 2010
2 min de leitura

O escritor e historiador Félix Contreras fala da saga de biografar o maior gênio da música cubana

Gostava de beijar os homens no rosto, como faziam os argentinos e os franceses, mas não os cubanos. O poeta Nicolas Guillén o advertia: “Bola, você é o único homem que deixo me beijar, mas não passe daqui, ok?”, dizia, apontando o canto da boca. Bola de Nieve era divertido, escrachado, intelectual, paquerador, debochado, contido. Herói de dois mundos, bon vivant dos salões e comunista de primeira hora na Cuba de Fidel (sua mãe costumava juntar revolucionários em sua casa em Guanabacoa para “muita cachaça, feijoada, tambores e poesia”), o mais celebrado pianista e cantor da Ilha viveu as honras e as contradições dessa condição. “Uma vez perguntei a ele se gostava dos comunistas. Ele me sussurrou que sim, gostava, mas que eles eram muito sisudos e sem senso de humor.” Recostado no balcão do clube de jazz Bourbon Street, em São Paulo, uma taça de Malbec na mão, um charuto apagado na outra, o divertido biógrafo e poeta cubano Félix Contreras, de 70 anos, imita a desmunhecada e a risada característica de Bola de Nieve, de quem foi amigo. Contreras biografou Bola de Nieve para a editora Cosac Naify, que deve lançá-lo no início do ano. Bola do mundo investiga a vida de Bola de Nieve desde a infância em Guanabacoa, gênio vindo de família modesta.

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