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Sobre livros perdidos e encalhados

16 de agosto de 2010
2 min de leitura

Na contramão das profecias que anunciam o fim do livro, nunca se publicou tanto

O modismo chamado O Código Da Vinci, o romance histórico-policial de Dan Brown, estava no auge quando o Eurostar, serviço europeu de trens de alta velocidade, divulgou a notícia de que, ao cabo de um ano, quase mil exemplares do best-seller haviam sido deixados na linha Londres-Paris. “O que pensar disso?”, perguntou-se uma colunista, chocada. O descarte de tantos Código Da Vinci trazia de volta o antigo debate -que data do século 18- sobre a superoferta de títulos. Até o último domingo, o Google contabilizava, em todo o mundo, 129.864.880 de títulos, numa consulta a cerca de 150 fontes (bibliotecas, livrarias, catálogos e fornecedores). Na mesma semana, às vésperas da abertura da 21ª Bienal do Livro de São Paulo, a Câmara Brasileira do Livro, o sindicato dos editores e a Fipe divulgaram que, em 2009, foram publicados no país 52.509 títulos (2,7% a mais do que em 2008), com um total de 386.367.136 exemplares (aumento de 13, 5%). As vendas em 2009 atingiram 228.704.288 exemplares. Editoras são reticentes quando o tema é encalhe. Sob críticas, o grupo Ediouro, o maior do país, viu-se recentemente obrigado a voltar atrás na orientação que passou a livrarias sobre o que fazer com os livros não vendidos. “Sim, há uma superprodução”, confirma por e-mail Luiz Schwarcz, editor da Companhia das Letras, a única a se pronunciar sobre o assunto. A editora registra um crescimento de 25% em títulos lançados de 2005 a 2009. Continue lendo.

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