Línguas indo-europeias
Das letras sem som ou função aos distúrbios da fala e idiomas perdidos, filósofo Daniel Heller- Roazen investiga o esquecimento linguístico
Faladas por quase três bilhões de pessoas, da Europa ao Sul da Ásia, as línguas indo-europeias compõem a maior família linguística do mundo. Europeus que chegaram à Índia com as navegações do século XVI foram os primeiros a propor a hipótese de que este numeroso conjunto, formado por centenas de idiomas e dialetos, teria por origem uma mesma e única língua ancestral. Batizada de proto-indo-europeu, essa língua hipotética da qual inexiste qualquer registro tem, desde o século XIX, sido reconstituída por linguistas que mapeiam as semelhanças entre seus “descendentes” e, dessa maneira, imaginam a raiz comum. Para indicar em seus compêndios o caráter hipotético das palavras assim registradas, os cientistas usam um asterisco. O “*” se tornou portanto o símbolo dessa língua esquecida, da qual teriam derivado os idiomas de metade da Humanidade. A estrelinha poderia servir também de síntese visual do recém-lançado Ecolalias: sobre o esquecimento das línguas (Unicamp, 216 pp., R$ 58 – Trad. Fabio Akcelrud Durão), do filósofo canadense Daniel Heller-Roazen. Professor de Princeton, ele reuniu 21 ensaios atravessados pela ideia de que na base da linguagem está o esquecimento.
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