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Daniel Piza cria relato banal da vida em grandes cidades

14 de agosto de 2010
2 min de leitura

Histórias têm sentenças filosofantes, tramas previsíveis e estilo sem graça

Noites urbanas (Bertrand Brasil, 176 pp., R$ 33), do jornalista Daniel Piza, reúne dez contos e 18 minicontos. O título, para fazer jus ao conjunto, deve ser lido como metáfora de escuridão, de tempo sem saída. Mais particularmente, trata-se de uma noite causada por um curto-circuito entre três fios desencapados: os hábitos desumanizados da cidade; as redes sociais virtuais, que aceleram o desgaste das relações civis, e, enfim, a tecnologia que tudo penetra, desorganizando as formas de vida. As três situações enquadram o perfil da classe média emergente, objeto do livro. Até aí, tudo bem. O assunto dos emergentes e da virtualização do contato humano está mesmo escancarado. A ironia de Piza ao tratá-lo, contudo, inclui vários procedimentos mal sucedidos: da imitação ostensiva do registro pedestre de suas personagens às comparações que dão sempre precedência a clichês e generalizações. E permanecem esboços, pois, de um lado, são muito gerais para funcionar como crônica; de outro, não chegam a instigar a interpretação como alegoria, pois são transparentes demais para justificar o seu emprego. Não terminam aí os problemas do livro. Há algum patetismo na pintura da vida dura dos pobres, sentenças filosofantes, intrigas previsíveis, como a da história do zagueiro que já se sabe que vai acabar batendo no atacante talentoso ou a do velho artista que se vê criança às vésperas da própria morte. (Alcir Pécora é professor de teoria literária na Unicamp)

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