Paloma Vidal explora com originalidade as possibilidades da escrita íntima
Ela é autora de “Em algum lugar”
Em Algum lugar (7Letras, 176 pp., R$ 38), Paloma Vidal narra uma história aparentemente muito simples, quase minimalista. É na melancolia seca da narradora e na construção do narrar que estão a beleza, a originalidade e a provocação deste texto que não é para ser lido, é para ser relido. Na escolha pela simplicidade contundente está o resultado de difícil trabalho de rejeição de efeitos espetaculares, de desrealização do cotidiano quase óbvio, construindo o ficcional com os recursos não dramáticos possíveis no biografismo, e aliando tais recursos à reflexão permanente sobre a condição da existência trazidas ao texto sem qualquer exibição dos conhecimentos teóricos que a autora detém. Em Algum lugar não há qualquer pacto autobiográfico. Nem uma linha sequer se apresenta como não sendo ficcional. É na forma escolhida, na condução da escrita literária e não na sedução da confidência ou no espontaneísmo testemunhal que está a habilidade artesanal deste romance, qualidade a distinguilo, a atribuir-lhe uma aura de unicidade. (Beatriz Resende é professora da Uni-Rio e autora de Contemporâneos: ficção brasileira no século XXI)
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