Estudo revitaliza aspectos da obra de Gonçalves Dias
Lançamento é da EdUFSCar
Quando o Ville de Boulogne, navio no qual viajava Gonçalves Dias se espatifou nos arrecifes do Baixio de Atins, nos arredores das praias maranhenses, na madrugada de novembro de 1864, o autor de Canção do exílio, já amplamente consagrado pelos elogios do conceituado escritor português Alexandre Herculano, tinha a saúde completamente arruinada, sem chances de sobreviver quando chegasse a terra. Quis o destino, no entanto, que ele findasse seus dias no mar. No trágico naufrágio, salvaram-se todos os passageiros e tripulantes da embarcação, menos o poeta. Reviver um pouco da atmosfera desse poeta através dos seus textos canônicos é sempre um prazer que deixa no espírito o sagrado dever de consagração à memória de um grande autor nacional. Este é o propósito do livro O poeta na contramão (EdUFSCar, 279 pp., R$ 39), de Wilton José Marques. Atendo-se aos temas da literatura e da escravidão no período do primeiro romantismo brasileiro, percorre exatamente a fase gonçalvina pela análise acurada do texto em prosa de Meditação, projeto bastante marginal e, além de tudo, inacabado do poeta maranhense, divulgado parcialmente na revista Guanabara, e que teve parca repercussão nos meios intelectuais e acadêmicos. (Uelinton Farias Alves é jornalista e escritor. Autor de Cruz e Sousa: Dante Negro do Brasil, da Pallas)
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