Saramagô-san
José Saramago morreu sem conhecer o Japão, mas suas obras publicadas no país reforçam o interesse do japonês pelo estudo da língua luso-brasileira
Pena que José Saramago tenha falecido sem conhecer o Japão! Eu, pelo contrário, tive o prazer de conhecer o mestre e sua mulher em Lanzarote, em 2007. Na ocasião, conversamos sobre a similaridade entre as paisagens de Lanzarote, lugar que ele escolheu para viver, e da região do MonteFuji, também vulcânica,cercada de pedras, areia e cinzas. Ana Paula Arnaut, da Universidade de Coimbra, especialista na obra de Saramago, foi quem intermediou esse contato. Pode-se dizer que, no ensino formal das escolas, o Japão ignorou a contribuição de culturas como as da América Latina, África e Ásia. Por essas e outras razões, as primeiras traduções da obra de Saramago ocorreram apenas após o autor ter ganho o Prêmio Nobel de Literatura, em 1998, o que abriu os olhos dos japoneses para a literatura portuguesa. Existem cinco obras de Saramago acessíveis ao leitor japonês: Memorial do convento, Ensaio sobre a cegueira, Todos os nomes, O conto da ilha desconhecida e O ano da morte de Ricardo Reis. Dessas, Todos os nomes e O ano da morte de Ricardo Reis foram as duas únicas traduzidas diretamente do português, já que aqui são raros os tradutores bilíngües nessas línguas. (*Ikunori Sumida é diretor do departamento de estudos luso-brasileiros da Universidade de Estudos Estrangeiros de Kyoto)
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