Divagações, de Stéphane Mallarmé, ganha tradução brasileira
O lançamento é da UFSC
Divagações (UFSC, 270 pp., R$ 41), único livro em prosa escrito por Stéphane Mallarmé, publicado pouco antes de sua morte em 1897, ganha tradução brasileira. O investimento é da editora da UFSC, que publica o trabalho de Fernando Scheibe – professor, pesquisador, poeta – desenvolvido em seis anos de pós-doutoramento na Unicamp. O livro tem apresentação de Scheibe e dois ensaios, entre eles o valioso “O túnel, o poeta e seu palácio de vidro”, de Marcos Siscar, que passa em revista a fortuna crítica de Mallarmé e atualiza o valor de sua releitura. Apresentado por Mallarmé como “um livro como deles não gosto, aqueles esparsos e privados de arquitetura”, Divagações reúne textos, muitos reescritos, “distraídos de sua publicação corrente”, acrescidos, rejuntados, refundidos, publicados em diversos periódicos, entre eles Revue Blanche e Revue Wagnérienne, como informado pelo próprio Mallarmé na seção Bibliografia, que inclui um painel do contexto de escrita e de recepção dos textos. Ainda na nota de apresentação, Mallarmé adverte o leitor que, embora a impressão de bricolagem, “as divagações aparentes tratam de um tema de pensamento único”. Esse tema único, para o tradutor brasileiro, diz respeito às possibilidades políticas da poesia. (Ieda Magri é ficcionista, autora do livro Tinha uma coisa aqui (7Letras) e doutoranda em literatura brasileira).
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