Obras reveem o advogado e combatente Luiz Gama
Pesquisa resgata petições reveladoras da habilidade do líder abolicionista Luiz Gama para libertar escravos
Escravo liberto que conquistou respeito por sua força intelectual e pela habilidade, como advogado, em libertar negros cativos muito antes da Lei Áurea, Luiz Gama (1830-1882) foi o primeiro vulto abolicionista do país. Mulato autodeclarado negro em plena escravidão, poeta satírico, líder republicano, é intrigante que sua figura continue subestimada na galeria das personalidades históricas do país, com reconhecimento quase restrito ao movimento negro, ao mundo jurídico e à maçonaria, outro setor em que atuou. No aniversário de 180 anos do nascimento de Gama, comemorados na última segunda (21), dois lançamentos engordam a relativamente parca bibliografia a seu respeito. Do advogado Nelson Câmara, Luiz Gama: o advogado dos escravos (Lettera, 316 pp., R$ 39,90), com prefácio de Miguel Reale Júnior, agrega à biografia transcrições das defesas de Gama, garimpadas no arquivo do Tribunal de Justiça de SP. Militante do movimento negro, o sociólogo e professor Luiz Carlos Santos escreveu para a Coleção Retratos do Negro no Brasil o perfil biográfico Luiz Gama (Selo Negro/Summus, 120 pp., R$ 21), em que sintetiza sua trajetória única ressaltando-lhe o caráter combativo na luta contra a discriminação da raça. Traz as íntegras da carta autobiográfica que Gama escreveu a pedido do amigo Lúcio de Mendonça e do comovente artigo em que Raul Pompéia descreve o enterro do abolicionista, que reuniu 3.000 pessoas numa São Paulo de 40 mil habitantes.
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