O almanaque de Julio Cortázar
Civilização Brasileira lança volume de 490 páginas com material inédito
Julio Cortázar morreu há 26 anos. Como é possível, depois desse tempo todo, reunir uma miscelânea de inéditos grande o suficiente para formar um livro de 450 páginas? É o que se pergunta, no prólogo destes Papéis inesperados (Civilização Brasileira, 490 pp., R$ 62,90), Carles Álvarez Garriga, que organizou o volume ao lado da viúva, Aurora Bernárdez. A resposta, ele mesmo dá ao contar uma pequena história da vida literária. Garriga conversava animadamente com Aurora, no apartamento dela, no 15eme arrondissement, em Paris, na antevéspera do Natal de 2006. Falavam de Cortázar (1914-1984), claro, quando a viúva mostrou ao visitante uma velha cômoda, abriu uma gaveta abarrotada… e começaram a surgir papéis. À medida que as gavetas iam sendo esvaziadas, ela perguntava ao interlocutor, pasmo com a descoberta, se ele já havia visto tal e tal artigo, se conhecia este conto original, se havia lido uma determinada autoentrevista de Julio, etc. O conteúdo da cômoda foi colocado, primeiro sobre a velha mesa em que Cortázar escrevera sua obra-prima, O jogo da amarelinha; depois, esparramado pelo chão do quarto. Era um tesouro, em desordem completa, e que precisava ser avaliado, selecionado e, em seguida, divulgado. O volume, aparecido em 2009 e agora publicado em português pela Civilização Brasileira sai em forma de almanaque, isto é, no estilo heterogêneo que era um dos prediletos do próprio Cortázar.
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