Fábula de Saul Bellow reúne humor e filosofia
Companhia das Letras lança agora “Henderson – O Rei da chuva
Depois de publicar o irresistível As Aventuras de Augie March, no ano passado, a Companhia das Letras agora lança outro romance clássico de Saul Bellow (1915-2005), Henderson, o Rei da chuva (416 pp., R$ 58 – Trad. José Geraldo Couto). Ambos chegam em traduções notáveis, que reproduzem a escrita cheia de energia e exatidão do autor. Apesar de muito diferentes entre si, os dois livros transmitem o mesmo humor e o mesmo prazer de compartilhamento. Henderson, além disso, é escancaradamente filosófico – suas especulações, nas palavras de um crítico, vão do sublime ao absurdo. Como nas melhores comédias. Augie, de 1953, e Henderson, de 1959, pertencem à primeira fase da obra do escritor, filho de judeus russos, nascido no Canadá e naturalizado americano. Ele já era então plenamente reconhecido nos Estados Unidos, mas nem tanto no resto do mundo, o que só viria a acontecer quando ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1976. Nessa fase inicial, Bellow prestava homenagens e pagava tributos à literatura do século XIX, ainda que nada de anacrônico sobrevivesse ao filtro de seu ouvido musical e atento à fala das ruas.
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